quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Rebelião da Cabanagem (1835 - 1840)

Memorial da Cabanagem em Belém - PA
O período regencial (1831-1840) foi marcado pela eclosão de inúmeras rebeliões provinciais. Essas rebeliões foram motivadas por dois principais objetivos: o desejo de autonomia política e administrativa e a implantação de um regime republicano.
As rebeliões provinciais foram movimentos de revolta contra o governo central do Império e o regime monárquico em vigor. No entanto, a característica mais importante das rebeliões provinciais foi a ampla participação popular, principalmente das camadas sociais mais humildes, as quais estavam quase sempre manipuladas pelas classes ricas na defesa de seus interesses diante da condução do governo imperial pelas regências.
A cabanagem ocorreu durante esse conturbado período, mais exatamente entre 1835 e 1840, na província do Grão Pará, na qual hoje se localiza o estado do Pará. Dentre os integrantes da revolta, havia pessoas pobres, as quais moravam em cabanas às margens dos rios da região, os chamados cabanos. Essa população era composta por negros, mestiços e índios, os quais se dedicavam às atividades de extração de produtos da floresta Por esse motivo, tem-se o nome cabanagem.
Durante esse período (Regência) a situação dos cabanos era precária, visto que os mesmos não possuíam trabalho e viviam em condições muito difíceis. Diante desses fatores, os cabanos sentiam-se abandonados em relação ao poder central, o que passou a gerar a revolta dos mesmos. Outro grupo que apresentava descontentamento em relação ao governo central eram os comerciantes e fazendeiros, descontentamento este provocado pela nomeação para a província de um presidente que não agradava essa elite. A rebelião originou-se de pequenas revoltas e conflitos sociais que afloraram nas áreas rurais e urbanas da província. Dentre os principais líderes envolvidos na rebelião de 1835, podemos citar: Eduardo Angelim, os irmãos lavradores Francisco Pedro e Antônio Vinagre, o fazendeiro Clemente Maltcher, o jornalista Vicente Ferreira Lavor e o padre Batista Campos.
Esses dois grupos distintos uniram-se momentaneamente em prol da luta contra o governo regencial, almejando a independência do Grão Pará. Os dois grupos, mesmo lutando lado a lado, possuíam interesses distintos: os cabanos desejavam melhores condições de vida, enquanto a elite pretendia obter uma maior participação nas decisões administrativas e políticas da província.
As autoridades nomeadas pelo governo central para governar a província do Pará temiam as constantes revoltas sociais: muitas chegaram a abandonar os seus cargos. Diante da situação, o governo central adotou algumas medidas repressivas bastante violentas. A principal delas previa que os suspeitos de participarem de agitações e revoltas seriam recrutados à força para servir nas tropas governamentais.    
Diante desses fatores e do contexto histórico apresentado, iniciou-se a revolta em 1835. As batalhas foram sangrentas e as estimativas apontam que morreram, em média, 30 mil pessoas durante o combate, o qual durou cinco anos.   
Ainda durante o ano de 1835, os revoltosos ocuparam a cidade de Belém, executando o presidente da província e outras autoridades e levando à presidência da província o fazendeiro Félix Maltcher. No entanto, os cabanos tiveram muitas dificuldades para que pudessem se manter no poder e estabelecer um governo revolucionário. As divergências e os conflitos entre os próprios líderes do movimento foram as principais causas do fracasso da rebelião. Além disso, o presidente revolucionário traiu o movimento ao fazer acordos com o governo regencial e, como punição, foi morto. Após a morte de Félix, o lavrador Francisco Vinagre e, posteriormente, Eduardo Angelim, ocuparam a presidência da província. Vinagre também se declarou fiel aos imperialistas e se dispôs a negociar com o governo central.
A repressão do governo central à revolta, a qual ganhava cada vez mais força, foi violenta, a qual contou, inclusive, com tropas de mercenários europeus. O governo regencial organizou numerosa força militar para enfrentar a rebelião: comandada por Manuel Jorge Rodrigues, e contando com o apoio do próprio Francisco Vinagre, as tropas governamentais tomaram Belém. Os cabanos se refugiaram no interior da província e se reorganizaram. Marchando novamente em direção a Belém, conseguiram restabelecer o controle sobre a cidade, proclamaram a República e tentaram estabelecer um governo revolucionário estável e capaz de governar a província. A tentativa, entretanto, foi novamente frustrada por traições e conflitos entre os líderes do movimento. Em abril de 1836, o governo central desfechou um novo ataque militar e conseguiu reassumir o controle da capital da província, impondo a ela um novo presidente. Foram cinco anos de intensa luta, até que os cabanos foram definitivamente derrotados. Estima-se que, durante o período do conflito entre as tropas governamentais e os revolucionários, a população do Pará, que era de cerca de 100 mil habitantes, foi reduzida a 60 mil.

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